quinta-feira, 14 de maio de 2026

PARÓQUIA SANTA TERESINHA DE CIRÍACO E A CAMINHADA AO LONGO DO TEMPO

 

PARÓQUIA SANTA TERESINHA







CIRÍACO

A Paróquia Santa Teresinha de Ciríaco, foi criada pelo Bispo de Passo Fundo Dom Cláudio Kolling em 02 de agosto de 1959 e entregue ao encargo Pastoral dos Padres Missionários da Sagrada Família. A área de abrangência da Paróquia Santa Teresinha é a mesma área que compõe o município de Ciríaco. Todos os munícipes de Ciríaco são paroquianos da Paróquia Santa Teresinha e quase todos os paroquianos são munícipes de Ciríaco. Daí vem a razão de citarmos as características de Ciríaco como se fossem as características da Paróquia Santa Teresinha e vice-versa.

DADOS GERAIS

ORIGEM DO NOME: Por volta de 1890 à 1910 um senhor de nome Ciriaco, depois de uma derrota num duelo de esgrima, refugiou-se na mata. Viveu seus últimos anos e foi enterrado onde se ergue a cidade de Ciriaco. Em 1951, quando a Vila de Passo do Bom Retiro foi elevada à categoria de distrito de Passo Fundo, recebeu o nome de Ciríaco em homenagem ao seu primeiro morador.

Observações: é a lenda que se formou em torno desse morador, ele existiu de fato, morreu ali e foi sepultado  em cova rasa perto do colégio DAMC. Com o tempo fizeram ali um loteamento e não retiraram os restos mortais, assim só permaneceu a lenda e o nome, porque essa gleba era de propriedade do grupo de germânicos que receberam o título de posse, lotearam e venderam aos migrantes das antigas colônias da serra gaúcha.

ASPECTOS FÍSICOS:

 Localizada entre a encosta superior do Nordeste, Planalto Médio e Alto Uruguai, com uma altitude de 840m acima do nível do mar, a área de abrangência da Paróquia Santa Teresinha pode ser classificada em duas regiões distintas.

a) A parte centro-norte que corresponde em torno de 2/3 do espaço, é formada por terrenos ondulados, outrora encobertos por gramíneas intermeadas por pequenos capões de araucária. São terras favoráveis à mecanização e formada em sua maior parte por médias e pequenas propriedades.

b) A parte sul, aproximadamente 1/3 dessa área, é formada por terrenos dobrados, pedregosos, com encostas íngremes e impróprias à mecanização e de difícil cultivo. É toda dividida em pequenos lotes de 2 a 25 hectares.

ASPECTOS POLÍTICOS:

 Ciríaco desvinculou-se de Passo Fundo em 19 de maio de 1966, pela Lei Estadual 5195 (de 28 de dezembro de 1955). Iniciou com uma área territorial de 453 km². Foi perdendo área com as emancipações de Caseiros, Água Santa, Muliterno e Gentil e hoje conta com 277,8 km². Apesar de poucos serviços disponíveis, foi encontrando alternativas para conseguir o bem-estar dos seus munícipes. Foi o pioneiro na criação de escolas-polo ou nucleação escolar e estabelecer transporte escolar gratuito a todos os estudantes de 1º e 2º graus. Foi também o primeiro na região a municipalizar toda a assistência médico dentária com atendimento gratuito para todos. Conta hoje com uma escola da APAE e uma Creche Municipal. Apesar de não ser uma região muito abastada, o município possui uma boa estrutura na oferta do bem-estar social.

ASPECTOS SOCIAIS:

 Quando ocorreu a emancipação, Ciríaco contava com aproximadamente dez mil habitantes e hoje conta com cinco mil e trezentos munícipes. Destes, aproximadamente 50% são descendentes de filhos de imigrantes europeus, na quase totalidade italianos. Os outros 50% são um misto de afro-lusos e descendentes de imigrantes europeus. Quase a metade desse contingente residem na cidade de Ciríaco, os demais residem na zona rural, com maior concentração na parte sul do município em torno de 2/3 da população rural do município restrita a 1/3 da área territorial.

ASPECTOS ECONÔMICOS

: Ciríaco situa-se em 7º lugar na faixa dos municípios mais pobres do estado. A falta de trabalho faz com que o jovem, força de trabalho mais promissora, busque espaço em outras cidades mais atrativas em ofertas de trabalho. A indústria, o comércio e a prestação de serviços são incipientes e funcionam quase só com a força do trabalho família. O mesmo ocorre com o meio rural. A maior parte da população rural concentra-se nas terras mais desfavoráveis. As propriedades são pequenas e o solo de difícil cultivo. Sem perspectiva de futuro a juventude e grande parte dos agricultores trocou o campo pela cidade, tornando o interior numa população de velhos. O mesmo acontece com o pequeno agricultor da região de terras favoráveis à mecanização. Venderam suas terras e empresas rurais e transformaram a região em médias e grandes propriedades. Os que restam na região, na sua maioria, vivem de pequenas roças e de trabalho de diaristas nas grandes fazendas. Os proprietários das médias e grandes propriedades, na sua maioria, residem em outras cidades e deixam os estabelecimentos aos cuidados de um administrador. Nessas condições, contamos com uma população de baixo poder aquisitivo, porém melhorando dia pós dia, ano pós ano com a implantação de outras atividades econômicas como o Turismo Rural.

 

ANTECEDENTES

A Paróquia Santa Teresinha foi criada em 02 de agosto de 1959, no entanto, a vivência do catolicismo e o trabalho do sacerdote na região datam aproximadamente de 1830. Aliás, o primeiro marco do catolicismo nesta terra foi cravado pelos índios missioneiros, 1688 a 1777, quando fundaram no Campo do Meio a Capela Nossa Senhora do Loreto  (constam nos registros das Missões Jesuíticas), em local hoje ainda ignorado. Porém, segundo o historiador Jorge Edete Cafruni e outros mais recentes em um raio de 80km de Passo Fundo, ao entorno em 1632 os padres jesuítas estiveram aqui na primeira fase das Reduções jesuíticas saindo do  Guairá, que era o atual Estado do Paraná, atravessaram o rio Uruguai e já estavam a organizar a redução de Santa Teresa, que logo em 1637 foi destruída pela bandeira de André Fernandes , paulista, que mandou os padres espanhóis saírem daqui e levaram muitos indígenas para trabalhar nas lavouras paulistas como escravos, O que temos hoje de vestígios são alguns sítios arqueológicos com casas subterrâneas atribuídas aos indígenas Jê, kaingangs, que por serem mais aguerridos sobreviveram mais, tanto na primeira fase do período jesuítico quanto do segundo.

 Os tropeiros e criadores de São Paulo e dos campos de Vacaria, que povoaram o Campo do Meio, trouxeram consigo a vivência do catolicismo na forma que era praticado na terra de origem.

Não se tem registro de visitas de Padres em toda a região de abrangência da Paróquia Santa Teresinha até 1930, mesmo com a fundação da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Passo Fundo, 1849, que teve jurisdição em toda essa região até 1939, quando da instalação Paróquia Sagrada Família de David Canabarro. Acontece que, até 1930, não havia nessa região uma Capela organizada. Só havia Capitéis de propriedade de quem adquirisse a imagem e construísse o Capitel. Nos são legados pela tradição, que a vivência da fé e a prática religiosa era transmitida de geração para geração. Realizavam o culto e os cerimoniais religiosos da mesma forma que eram feitos em suas terras de origem. As festas do Divino, de São João Batista e da Conceição eram realizadas com toda a pompa e motivo para muitos quilômetros de caminhada. Terminada a festa, escolhiam os anfitriões da próxima festa, motivo de disputa em publicidade e pomposidade.

A criança era batizada nos primeiros dias de vida por um padrinho, era motivo de festa para toda a vizinhança. O padrinho era respeitado como o próprio pai, em contrapartida ele tinha uma grande responsabilidade e afeição com o afilhado. Era norma da Diocese, que as missas só podiam ser rezadas em igrejas com altar organizado e sobre o qual tivesse a pedra que portasse as relíquias de santos. Mas nos relatos passados de geração em geração, deixa transparecer que em casos especiais, como o de dezenas e dezenas de quilômetros sem Igrejas organizadas, os bispos permitiam que os padres improvisassem um altar, em lugar propício para a celebração da missa e administração dos sacramentos.

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Conta a tradição que desde o início do povoamento, sacerdotes passavam esporadicamente pela região, reuniam os fiéis em sedes de fazendas ou locais mais favoráveis para o encontro de pessoas e ali improvisavam um altar, rezavam a missa, administravam os sacramentos e orientavam os fiéis a permanecerem na fé e a vivenciar os valores cristãos. Essas visitas foram se tornando mais frequentes com a criação da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Passo Fundo. A notícia da visita de um padre se propagava léguas de distância com muita rapidez e todos queriam ver e ouvir o sacerdote, que para eles, era uma pessoa carismática, muito próxima a Deus . Conforme relatos, os padres eram rigorosos no combate a bruxarias, feitiçarias, atentado ao pudor, injustiças e violência. No entanto, mal o sacerdote se retirava, aproveitavam o grande número de pessoas reunidas para promover bailes.

Antes da chegada em massa de filhos de imigrantes europeus, não se formou nenhuma Capela organizada comunitariamente em toda a região de abrangência da atual Paróquia Santa Teresinha. Nos anos 20 deste século, houve a entrada dos filhos de imigrantes italianos, e alguns alemães e poloneses na área que atualmente forma o município de Ciríaco. Em 1922 a 1923 chegaram os primeiros filhos de imigrantes de Veranópolis, Nova Prata e Guaporé e passaram a povoar os lotes do projeto de colonização do Passo do Bom Retiro, feito por João Corso e Augusto Picolli, também filhos de imigrantes de Serafina Corrêa  e Nova Bassano. Aqui viveu e morreu um senhor chamado Ciriaco, cujo nome o município recebeu, sendo um de seus primeiros moradores. No centro do loteamento colonial lotes de 25 a 30 hectares, ficou reservado uma área para a formação de um núcleo urbano, hoje cidade de Ciríaco.

Com o assentamento dos primeiros colonos, o local passou receber a visita dos Padres Palotinos, que atendiam a Paróquia da Conceição desde 1902, duas vezes ao ano. Como ainda não havia Capela construída, rezavam a missa e hospedavam-se na casa do Sr. Luiz Barea e depois o genro deste, Hermínio Bonamigo. Em 1930, a comunidade reunida construiu uma tosca Igrejinha de tábuas lascadas, no local hoje em frente a atual Casa Paroquial, na esquina das ruas Menino Deus e Joaquim de Oliveira Neto, como padroeira, Santa Teresinha, doada por uma pessoa devota. Todos os lotes do projeto de colonização foram sendo ocupados por colonos italianos. O núcleo urbano foi crescendo e a capela tornou-se o ponto de encontro da área do projeto e vizinhança.

Aos domingos, a comunidade reunia-se ali para rezar o terço e a encarregada da catequese aproveitava para ensinar o catecismo às crianças. A pequena Igrejinha tornou-se o centro de encontros da comunidade. Ali se rezava o terço, celebrava-se cultos, casamentos, encontro de visitas importantes e em 1932, o registro da primeira Visita Pastoral em solo Ciriaquense, pelo bispo Dom Antônio Reis de Santa Maria. Como era única Igreja organizada na região, as festas eram motivo de grande concentração de fiéis de todo o projeto e vizinhança.

Aos poucos a vila foi crescendo, cemitério, escola, 1a escola na área do atual município, farmácia, hospital, junto também ia tomando corpo o desejo da instalação de uma Paróquia com jurisdição da região, hoje Ciríaco, David Canabarro e Muliterno, que ficavam de 70 a 90 quilômetros distantes da Matriz da Conceição em Passo Fundo. A disputa deu-se entre a Vila do Bom Retiro e a Localidade "35", do outro lado do rio São Domingos. Em 1939, os Padres da Sagrada Família, que assumiram a Paróquia da Conceição de Passo Fundo, mostraram interesse de permanência de um sacerdote na região para dar atendimento espiritual a área que corresponde hoje aos municípios de Ciríaco, David Canabarro e Muliterno.

Ciríaco, nesta época, já era uma vila com comércio forte, capela organizada, era centro comercial da região, até mesmo da sede "35", que nessa época tinha somente três casas. A igrejinha era tão pequena que era tida como capitel. No entanto, os padres optaram em ficar na sede "35", hoje cidade de David Canabarro, justificando que a região era organizada em Capelas Comunitárias. Construíram uma Igreja de madeira mais ampla e a casa do sacerdote. O Padre Germano Classen foi designado pelo provincial como Provedor até a instalação da Paróquia da Sagrada Família em 1944, pelo bispo de Santa Maria Dom Antônio Reis. Ciríaco passou a integrar a Paróquia Sagrada Família. As missas tornaram-se frequentes e as visitas no hospital sempre que chamado.

A proximidade da Paróquia e a presença constante do sacerdote não se fez sentir só na comunidade da Capela Santa Teresinha. Todo o interior do atual município de Ciríaco passou a ser organizado em comunidade de capelas. Foi sob a jurisdição da Paróquia Sagrada Família da Sede "35", que foram organizadas as Comunidades seguintes:

 Capela Sagrado Coração de Jesus de Campo Alegre, Nossa Senhora das Graças de Passo das Pedras, São Sebastião do Quarain, Santa Rosa de Lima, São Sebastião da Raia da Várzea, Santa Cruz de Cruzaltinha, Imaculada Conceição e São Salvador. A Capela de São João Bosco foi fundada pelo Monsenhor João Benvegnú em 1938 e integrou a Paróquia de São Domingos até 1955, quando também foi integrada à Paróquia Sagrada Família da Sede "35".

A fundação da Paróquia com sede em "35" não esmoreceu os ânimos de Ciríaco também sediar uma Paróquia. Com a criação da Diocese de Passo Fundo em 1949, a aproximação do bispado tornou mais intensa a pressão para a designação de um sacerdote para Ciríaco, que a partir de 1951, foi elevado a distrito de Passo Fundo. No final da década de 1950, a comunidade Ciriaquense começou a construção de um templo amplo, em alvenaria, que hoje constitui o cartão postal Ciriaquense. Em 02 de agosto de 1959, se concretizava enfim o grande anseio Ciriaquense, e Dom Cláudio Kolling e o Provincial da Sagrada Família, davam posse ao Pe. Elpídio Sulzbach, como primeiro vigário da Paróquia Santa Teresinha de Ciríaco.

Se passaram 130 anos de prática e vivência na fé, sempre conduzidos e orientados por sacerdotes. No início, visita esporádica e intensificando-se com o correr do tempo, mas que enfim se concretizara o sonho da presença constante da pessoa, da palavra e da liderança de um sacerdote. A resposta foi imediata, Ciríaco iniciou uma nova vida, um novo tempo, tanto no campo espiritual e religioso como no social, político e econômico.

CRIAÇÃO DA PARÓQUIA

Em 02 de agosto de 1959, em ato solene, foi criada a Paróquia Santa Teresinha de Ciríaco, pelo Bispo Diocesano de Passo Fundo, Dom Cláudio Kolling, e entregue aos cuidados Pastorais dos Missionários da Sagrada Família, na pessoa do Pe. Elpídio Sulzbach, sob os aplausos da população, que vibrava por sentir concretizado um longo e sonhado desejo: a presença de um sacerdote e a fundação da Paróquia em Ciríaco.

Realmente a presença de um sacerdote hábil, inteligente, dinâmico e de vontade férrea, provocou uma explosão de entusiasmo em todos os paroquianos e foi marco de um novo perfil da vivência espiritual e religiosa da sociedade Ciriaquense como um todo. Preocupado, acima de tudo com o seu apostolado evangelizador, o Pe. Elpídio iniciou pelo conhecimento de toda a Paróquia. Passou por todas as capelas, visitou todas as famílias e fez contato, reorganizou e acompanhou todos os movimentos de vivência da fé e assistência social, equipes de catequese, liturgia e direção da Matriz e de todas as Capelas. Formou uma equipe de ajuda e assessoria ao Pároco para relacionamento e integração entre Matriz e Capelas.

Concluiu as obras da construção do templo da Matriz. Dedicou-se com afinco no planejamento e construção de um espaçoso salão Paroquial em alvenaria e com dois pisos. Ele próprio, em horas livres, acompanhava, carregava tijolos, massa e o trabalho que fosse necessário. A parte térrea do salão ficou destinada para festas, com cozinha, copa, dependência para um zelador com a família. O piso superior, com uma enorme sala para projeção de filmes, apresentação de teatros, apresentações e reuniões da sociedade para todos os fins. Do outro lado, também no segundo piso, uma sala para o funcionamento do Clube Social Ciriaquense. Hoje, a parte superior forma um enorme salão para qualquer promoção, como: bailes, jantas, casamentos, reuniões importantes... A parte inferior, salas de catequese, sala para festas populares, cozinha, açougue, churrasqueiras e banheiros.

Ciríaco crescia e necessitava se expandir. A emancipação política era requisito fundamental. Encontrou-se no Pe. Elpídio o líder necessário para o sucesso do empreendimento de tamanha envergadura. Lá estava ele divulgando as vantagens, organizando grupos de propaganda, programando o perfil do mapa de Ciríaco, juntando documentos necessários e liderando todos os contatos com órgãos e autoridades competentes. O trabalho de emancipação não foi um mar de rosas. No entanto, o plebiscito de 03 de outubro de 1965 consagrou vitoriosa a campanha emancipacionista, reconhecida pela lei estadual 5195 (21/12/1965) e a instalação solene em 19 de maio de 1966.

O trabalho do Pe. Elpídio não parou aí. Além da sua maior preocupação "o apostolado" abraçou com ardor a campanha por uma escola ginasial em Ciríaco, para que a juventude Ciriaquense pudesse ter sequência do ensino primário. As tentativas de se conseguir uma escola pública de ensino ginasial, hoje 5a, 6a, 7a e 8a do ensino fundamental malograram porque o estado não tinha uma política educacional pública de ensino ginasial científico e técnico (2º grau), a não ser em cidades maiores ou pontos especiais. Esses graus de formação estavam à mercê de escolas particulares. A melhor possibilidade encontrada para um curso ginasial em Ciríaco era através do CNEC (Campanha Nacional de Escolas Comunitárias). Ali estava novamente o Pe. Elpídio fazendo a linha de frente, buscando sócios, divulgando as vantagens, fazendo contato com órgãos do CNEC e providenciando a documentação necessária. Iniciou o funcionamento da Escola Ginasial Ceenecista Castelo Branco em Ciríaco.

Não pode ser esquecido o trabalho do Pe. Elpídio na fundação do sindicato dos trabalhadores rurais, a começar com a Frente Agrária Gaúcha, sonho que ele acalentava de ver os trabalhadores rurais organizados e representados em classes. Em 1946, um grupo de ciriaquenses em sociedade, construíram um hospital, que se tornou o centro de atendimento médico e hospitalar da região. Em 1966 o Pe. Elpídio intermediou a venda, por um preço simbólico, do hospital para a Sociedade das Irmãs do Divino Salvador, que até hoje oferecem um excelente atendimento aos doentes e na assistência social. Conseguiu também convencer os proprietários a destinarem o valor da venda do hospital nas obras de construção da sala do Salão Paroquial, destinadas ao Clube Social Ciriaquense.

Todos os Padres que passaram por essa Paróquia, a iniciar pelo Pe. Elpídio até o atual vigário, o Pe. Leopoldo, dedicaram todas as suas forças pelo bem estar espiritual e sócio econômico de todos os seus paroquianos. O Pe. Elpídio, o pioneiro, encontrou uma sociedade em formação, com sua habilidade e liderança, cravou a pilastra da formação da sociedade Ciriaquense em todos os aspectos. No entanto, todos os demais sacerdotes que atuaram como Pároco desta Paróquia, já com um nível cultural e socioeconômicos muito diferente, deram sua grande contribuição para o aperfeiçoamento e consolidação de tais condições. Em todas as promoções, projetos e conquistas da sociedade Ciriaquense, sempre esteve presente a participação do sacerdote da Paróquia.

No entanto, todos os sacerdotes que sucederam o Pe. Elpídio dedicaram mais o seu empenho no Apostolado da Catequese e na melhoria da assistência espiritual e religiosa dos seus paroquianos. Foi construída uma nova Casa paroquial mais ampla e acolhedora, o salão também sofreu uma adaptação às necessidades pastorais e sociais de nossos dias. Foi, acima de tudo, no campo da evangelização e das vivências da fé que se concentraram todos os esforços dos Párocos que por aqui trabalharam. Envolvidos na nova Pastoral da Diocese, reuniram-se sempre com colegas da Área Pastoral de Tapejara, depois Casca e juntos elaboraram uma nova proposta de apostolado evangelizador.

As comunidades de Capelas tornaram-se verdadeiras Comunidades Eclesiais de Base, capazes de levar adiante a vivência na fé e a prática da religiosidade na forma das primeiras Comunidades Eclesiais. Cada comunidade tem organizado um conselho com diferentes competências para planejar e conduzir a caminhada do apostolado de fé e evangelização de fiéis. Esse conselho é formado por uma diretoria responsável pela organização do espaço dos encontros comunitários, como templos, salões, dependências para o convívio social da comunidade, representar as comunidades e oferecer os recursos e condições para as demais equipes da pastoral da liturgia e catequese.

A Igreja Matriz também tem o seu conselho na forma das Capelas. Um membro do conselho de cada capela e um do conselho da Matriz forma o Conselho Paroquial com assessoria do sacerdote para conduzir a caminhada do trabalho Pastoral da Paróquia. Todas essas equipes de capelas e da Matriz, se reúnem para encontros de preparação sob orientação do Padre e assim aperfeiçoar cada vez mais a ação evangelizadora e vivência em cada comunidade.

No aspecto vocacional, durante todos esses anos, foram intensificados os trabalhos pastorais de esclarecimento da vida sacerdotal e religiosa. Como resultado desta pastoral, a Paróquia Santa Teresinha conta hoje com dezenas de Irmãs Religiosas, cinco sacerdotes de diversas congregações, além de dezenas de jovens que se preparam para a vida religiosa. A cidade de Ciríaco é abençoada pelo Cristo Redentor, monumento fixado no ponto mais alto da cidade e que é motivo de peregrinação e visitas de quem por aqui passa.

Observação: este relato é do ano 2000, acrescento que sob a liderança do atual pároco padre Bruno Silva as mudanças positivas com construções, manutenções da Igreja e das capelas está adquirindo mudanças muito positivas, inclusive com  celebrações e procissões incluindo o Cristo Redentor de Ciriaco, que se ergue majestoso no ponto mais alto da cidade.

 

DADOS ESTATÍSTICOS DO ULTIMO CENSO, SEGUNDO O IBGE

 

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, a população de Ciríaco (RS) é de 4.149 habitantes. Este número representa uma queda de aproximadamente 15,77% em relação ao Censo de 2010, evidenciando uma redução populacional significativa no período. 

Principais Dados do Censo 2022 (Ciríaco/RS):

·         População Total: 4.149 pessoas.

·         Densidade Demográfica: 15,12 habitantes por km².

·         Área Total: 274,350 km².

·         Variação Populacional: Queda de 15,77% (comparado com 2010).

·         IDHM (2010): 0,719. 

Localização e Contexto:
Ciríaco está situado no Rio Grande do Sul, na região Noroeste/Passo Fundo, a cerca de 263 km de Porto Alegre. Municípios vizinhos incluem David Canabarro, Muliterno, Caseiros, São Domingos do Sul, Vanini, Gentil e Água Santa.

CONCLUSÃO

A Paróquia Santa Teresinha, com suas dezessete comunidades e a Matriz, é formada de um povo simples, economicamente pobre, mas muito acolhedor, oportunizando um trabalho de evangelização profícuo. O Sacerdote constitui um papel importante na formação política e social do município.

A paróquia Santa Teresinha compõe-se das seguintes Capelas:

     São João Bosco

     Santa Bárbara

     São Paulo

     São Roque

     Santa Cruz (Cruzaltinha)

     São Valentin (Gramadinho)

     São Salvador

     São João Batista

     Santo Antonio do Geremias

     São Sebastião do Quarain

     N. Sra. da Conceição

     Santa Rosa de Lima

     N. Sra. de Lurdes (G. Bom Retiro)

     São Sebastião (Raia da Várzea)

     N. Sra. de Fátima

     N. Sra. das Graças (P. das Pedras)

     S. Coração de Jesus (Campo Alegre)

     Sto Expedito

Sacerdotes que atuaram na Paróquia Santa Teresinha de Ciríaco:

Sacerdote

Período

Pe. Elpídio Sulzbach

02/08/1959 a 07/01/1962

Pe. Zygfryd Zlonkosky

07/01/1962 a 21/10/1962

Pe. Elpídío Sulzbach

21/10/1962 a 15/12/1970

Pe. Hugo Pedro Schnorr

15/12/1970 a 21/12/1972

Pe. Jacob Inácio Kehl

21/12/1972 a 31/01/1976

Pe. Silvano Schoenberger

31/01/1976 a 21/04/1979

Pe. Avelino Heck

21/04/1979 a 04/03/1986

Pe. Camilo Backes

04/03/1986 a 17/01/1988

Pe. João Inácio Kolling

04/03/1986 a 17/01/1988

Pe. Ledorlno Baraldi

17/01/1988 a 14/01/1996

Pe. Roque João Bieger

14/01/1996 a 21/02/1999

Pe. Leopoldo Santinon

21/02/1999

Fontes de Pesquisa:

Livro Paróquia Santa Teresinha , de Resmini David

Revisão : Santinon Leopoldo

Acréscimos  :Seganfreddo Ana Maria

IBGE- atualização

 

 

 

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